O melhor desde Zico
Nome por nome, o Flamengo de 2008 pode ser inferior ao de outros elencos recentes do clube. Mas, no conjunto, o time campeão da Taça Guanabara tem potencial para ser o melhor Mengão desde os tempos do galinho
No fim do primeiro turno do último Brasileirão, quando o Flamengo ocupava o penúltimo lugar na tabela, nem o mais otimista dos torcedores apostaria que o clube terminaria o campeonato em terceiro lugar. Mas o Flamengo parece ter conseguido um feito bem mais duradouro que a vaga na Libertadores: após um longo período de trevas, o clube da Gávea parece ter entrado nos eixos. “Há muito tempo não via uma arrancada como a que o Flamengo deu, uma demonstração da cumplicidade entre torcida, camisa e clube”, diz o ex-goleiro Raul Plassman. “É um time que tem limitações, mas que está dando mais do que poderia pela força de seus jogadores e seu respeito com a torcida.”
O elenco flamenguista pode não ter estrelas como as que passaram nos últimos anos pela Gávea – basta lembrar que o clube já teve Romário, Edmundo, Sávio, Gamarra, Edílson, Júlio César, Juan, Alex... Mas não é exagero dizer que a equipe atual tem potencial para ser a melhor que já passou pelo clube desde os gloriosos tempos de Zico.
O ex-jogador Júnior credita a mudança no Flamengo à união entre jogadores, treinador e torcida: “O time passou a ser extremamente solidário. Joel soube fazer, por exemplo, Juan, Leonardo Moura e Ronaldo Angelim subirem muito de produção. Quem diria há um ano que o Léo seria convocado para a seleção?”, diz. “E pela primeira vez vi uma torcida carregar um time, e não o contrário”, completa. Quem também acredita na força desse Flamengo é o próprio Galinho de Quintino. “Se o time mantiver uma postura guerreira, com brio, certamente vai ter boa caminhada. Os atletas que chegaram precisam de tempo para se adaptar, mas o Joel é um grande treinador e sabe arrumar a casa”, diz Zico. Resta ao Flamengo converter todo esse potencial em títulos.
Compare os times
FLAMENGO DE 1981

FLAMENGO DE 2008

Parece, mas não é!
O Flamengo atual, que fez seu torcedor voltar a ter prazer quando vai ao Maracanã, lembra, de leve, bem de leve, o timaço que foi campeão brasileiro, da Libertadores e do mundo no início da década de 80. A estrutura tática do time é semelhante. Só um atacante fixo (o Souza de hoje é o Nunes de ontem), dois laterais excelentes no apoio (Leandro & Júnior x Leonardo Moura & Juan)... A diferença principal, evidente, é a qualidade dos jogadores – e, lógico, o fato de o time de 80 ter ele: Zico!

Joel Santana é o único treinador que venceu estaduais pelos quatro grandes do Rio. No Flamengo, além do título estadual de 1996, salvou a equipe do rebaixamento em 2005 e no ano passado. Nos dois casos, dizem, fez mágica.

A Torcida rubro-negra
O amor ao clube da torcida refletiu-se em números impressionantes no Brasileirão de 2007. O clube deteve oito dos dez maiores públicos do campeonato, com mais de 80.000 pessoas em dois jogos – e média de 39.000 por partida.

Logo no primeiro jogo, Fábio Luciano assumiu a braçadeira de capitão, e o papel de líder. “Não sou agressivo, não levanto o tom de voz. Mas cobro, incentivo, acerto posicionamento”, diz Fábio Luciano que, ao lado de Léo Moura, puxa a reza no vestiário.

O jogador, que disputa uma vaga no ataque, é o principal ídolo da torcida e símbolo da equipe, esteja em campo ou no banco. “É uma pessoa extraordinária, não tem igual. Sempre com aquele sorrisão, passando alegria para todos”, diz Ibson.

A base do time que se classificou para a Libertadores foi mantida, mas o Fla se reforçou em todos os setores do campo. Tardelli virou titular no ataque. Destaque no Galo, o meia Marcinho vem sendo usado nos jogos. E o pentacampeão Kléberson dá o toque de experiência ao time.
