A Final
Estatísticas
No dia seguinte à final, a Fifa distribuiu uma inédita estatística da partida. O Brasil chutou 46 vezes a gol e a Suécia 21. A Suécia cometeu 14 faltas e o Brasil, 11. O Brasil teve 13 escanteios a favor e a Suécia, 8. O ataque brasileiro duas vezes foi flagrado em impedimento e o sueco, só uma.
Camisas novas
Na Copa, só Suécia e Brasil jogavam de amarelo. Tradicionalmente, o time da casa usava o segundo uniforme quando o visitante tinha camisas semelhantes. Por isso, a comissão técnica do Brasil nem levou camisas azuis. Mas a Fifa decidiu que em Copas não há “time da casa”, apenas “país-sede”. E decidiu fazer um sorteio na sexta-feira. O Brasil perdeu e no sábado, véspera da decisão, o roupeiro Francisco de Assis saiu procurando camisas azuis. Achou, de um tom mais escuro e sem a gola branca. Durante a noite, ele ainda teve de despregar das camisas amarelas os escudos da CBD e pregá-los nas azuis. Consta que o kit completo – 13 camisas – custou 35 dólares. Em setembro de 2004, a camisa 10, de Pelé, foi arrematada num leilão por 105 600 dólares.
A bola é minha
O massagista Mario Américo havia recebido uma recomendação do doutor Paulo Machado de Carvalho: pegar a bola como lembrança. No tumulto que se seguiu ao apito final, com torcedores invadindo o campo, Mario Américo parou de atender Pelé, machucado, e saiu em disparada até ver o juiz caminhando sossegado para o vestiário. Por trás, Mario Américo deu um tapa na bola, pegou-a e sumiu. Enquanto isso, os jogadores davam a volta olímpica, carregando a bandeira sueca. Mario Américo, que tinha ido guardar a bola, percebeu que seu sonho desde 1950 – dar a volta olímpica como campeão mundial – tinha sido frustrado. Mas ele estava determinado a não perder a chance: chamou o roupeiro Francisco de Assis, que havia ficado com a bandeira da Suécia, e ordenou, com sua famosa gagueira: “Pe-pe-pega aí, A-a-ssis”. E os dois, sozinhos, deram uma volta olímpica particular.
Os gols
Suécia 1 x 0 - Aos 4 minutos do primeiro tempo, depois de uma seqüência de sete passes que começou na lateral direita da Suécia e chegou até a meia-lua da área do Brasil, Liedholm recebeu a bola, cortou primeiro Orlando e depois Bellini e chutou rasteiro, sem muita força, no canto direito de Gilmar.
Brasil 1 x 1 - Apenas 5 minutos depois veio o gol de empate. Garrincha recebeu de Zito no bico esquerdo da grande área sueca, tendo apenas Axbom pela frente. O ponta deu um único toque na bola, correu mais que o marcador e cruzou rasteiro da linha de fundo. Pelé chegou um instante atrasado, Gustavsson raspou com o bico da chuteira na bola e, pelo meio, Vavá (de carrinho) completou para o gol.
Brasil 2 x 1 - Ainda no primeiro tempo, aos32 minutos, uma espécie de repetição do gol de empate. Passe de Djalma Santos no pé de Garrincha na direita, junto à linha lateral, com apenas Axbom a marcá-lo. O atacante conduziu a bola e, já dentro da área, passou de novo pelo zagueiro e cruzou da linha de fundo. Vavá completou para as redes.
Brasil 3 x 1 - Logo aos 10 minutos do segundo tempo, o gol mais bonito do jogo (e um dos que ninguém se cansa de ver, na TV). Pelé recebeu de Nilton Santos, deu um chapéu em Bergmark na meia-lua e atirou de pé direito, sob o corpo de Svensson.
Brasil 4 x 1 - Aos 23 minutos, após um chute de Zito, a bola espirrou na esquerda. Zagalo, um jogador franzino, conseguiu ganhar no pé-de-ferro contra o robusto Borjesson. Svensson saiu do gol e Zagalo, do bico da pequena área, cutucou por baixo.
Suécia 2 x 4 - Faltando 10 minutos para o fim do tempo regulamentar, Simonsson, em posição duvidosa, recebeu na entrada da área e fez o segundo gol sueco.
Brasil 5 x 2 - No último minuto de jogo, um cruzamento de Nilton Santos encontrou Pelé correndo pelo meio da área. De cabeça, ele encobriu o goleiro Svensson, que, numa das cenas mais engraçadas da Copa, abraçou-se à trave direita para não cair, enquanto a bola descia mansinha para o fundo do gol. Brasil campeão do mundo.
Local: Solna-Rasunda, em Estocolmo
Árbitro: Maurice Guigue (França)
Auxiliares: Dusch (Alemanha Ocidental) e Gardeazabal (Espanha)
Público: 49.737 pessoas
Gols: Liedholm (4), Vavá (9 e 32 do 1º); Pelé (10), Zagalo (23), Simonsson (35) e Pelé (45 do 2º)
Gilmar
Djalma Santos
Bellini
Orlando
Nilton Santos
Zito
Didi
Garrincha
Vavá
Pelé
Zagallo
Svensson
Bergmark
Axbom
Borjesson
Gustavsson
Parling
Hamrin
Gunnar Gren
Simonsson
Liedholm
Skoglund
Fase de Grupos| Grupo 1 | P | J | V | E | D |
Alemanha Ocidental
|
4 | 3 | 1 | 2 | 0 |
Irlanda do Norte
|
3 | 4 | 2 | 1 | 1 |
Tchecoslováquia
|
3 | 4 | 1 | 1 | 2 |
Argentina
|
2 | 3 | 1 | 0 | 2 |
| Grupo 2 | P | J | V | E | D |
França
|
4 | 3 | 2 | 0 | 1 |
Iugoslávia
|
4 | 3 | 1 | 2 | 0 |
Paraguai
|
3 | 3 | 1 | 1 | 1 |
Escócia
|
1 | 3 | 0 | 1 | 2 |
| Grupo 3 | P | J | V | E | D |
Suécia
|
5 | 3 | 2 | 1 | 0 |
País de Gales
|
3 | 4 | 1 | 3 | 0 |
Hungria
|
3 | 4 | 1 | 1 | 2 |
México
|
1 | 3 | 0 | 1 | 2 |
| Grupo 4 | P | J | V | E | D |
Brasil
|
5 | 3 | 2 | 1 | 0 |
União Soviética
|
3 | 4 | 2 | 1 | 1 |
Inglaterra
|
3 | 4 | 0 | 3 | 1 |
Áustria
|
1 | 3 | 0 | 1 | 2 |
Fase final
Alemanha Ocidental
Argentina 
Tchecoslováquia
Irlanda do Norte
França
Paraguai
Iugoslávia
Escócia
Suécia
México
Hungria
País de Gales
Brasil
Áustria
Inglaterra
União Soviética 