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Vágner Love: “Eu sou um jogador diferenciado”

Por Joanna Assis, especial para Placar

28/Abril/2008

O artilheiro do amor está de volta. Vágner Love promete gols, retorno à seleção e (por que não?) muita balada.

Em entrevista à Placar, o jogador do CSKA fala da adaptação na Rússia, comenta sobre a aposentadoria de Romário, afirma que gostaria de jogar em outros países da Europa e relembra os bons tempos em que jogava no Palmeiras.

Confira a entrevista:

Já fala russo fluentemente?
Não, não. É muito difícil. Morrer de fome eu não morro, porque eu sei me virar quando vou aos restaurantes, mas para falar direito tem que estudar muito, e meu negócio é meter a bola na rede. Essa é a língua do Vágner Love.

O que você mais gosta de fazer por aí? Já se acostumou com o frio?
Eu me adaptei bem ao frio, até porque quando eu cheguei era verão, então fui me acostumando aos poucos. Eu gosto de ir a bons restaurantes e aqui existe um parque aquático muito maneiro que fica dentro de um shopping center, com água quentinha... (risos). Eu acho que poderia ter no Brasil, né? É uma idéia bastante diferente. Eu também jogo boliche uma vez por semana.

Trocou a cerveja pela vodka?
Ahh... Não tem como trocar! Prefiro tomar minha cervejinha e ver televisão tranqüilo, assistindo aos jogos do Brasil que passam aqui. Continuo na loira gelada. Vodka? Nem pensar...

Acha que Romário parou na hora certa?
Ele falou, né? Ele anunciou... E eu acho que o Romário já fez muita coisa pelo futebol mundial. Eu acho que se ele achou que não tinha mais condições de acompanhar o ritmo de uma partida, se achou melhor parar, foi uma decisão dele, não tem certo ou errado. Ele mesmo disse que já estava na hora, porque já não tinha condições físicas. Mas o Romário tem o raciocínio muito rápido. Se ele quisesse continuar, ele ainda faria muitos gols em qualquer clube.

Você se prepara psicologicamente para o dia que decidir parar de jogar?
Eu não penso ainda nessas coisas. Eu sei que uma hora eu não vou mais conseguir, isso eu sei, mas não penso nisso agora. Eu quero fazer uma carreira brilhante, ganhar muitos títulos, jogar em um time da Europa, depois voltar ao Brasil e, aí sim, parar. Vai chegar uma hora que o corpo não vai obedecer e será complicado jogar até os 42 anos.

E o Corinthians? Ainda sente que deve algo à torcida, já que chegou a ser apresentado ao clube, mas não ficou?
Para mim já está apagada há muito tempo essa história e eu não devo nada à torcida do Corinthians, nunca devi. Foi uma coisa que aconteceu, porque eu tinha vontade de voltar ao Brasil e o Timão abriu as portas para mim. Não deu certo e hoje isso é uma página virada.

Vágner Love é craque?
Eu sou um jogador diferenciado. Craque para mim é o Ronaldinho Gaúcho, o Fenômeno, Romário... Esses são meus ídolos. Para mim, todos eles são craques. Eu sou diferenciado, sou rápido, bato com as duas pernas e me movimento bem. Além disso, em jogos difíceis eu desequilibro. Na minha opinião, sou diferente mesmo.

Fazer o pé de meia é o mais importante para o jogador nos dias de hoje?
Olha, todo mundo quer jogar em um grande time. Eu quero jogar futebol, que é o que eu gosto, mas também quero dar uma boa vida para a minha família, ter minhas coisas e não ter que depender de ninguém. Só que o mais importante é jogar, que é o meu trabalho e eu gosto muito e amo de paixão fazer. As coisas materiais são conseqüências. Quando você está bem no seu trabalho, os bens materiais virão junto com o seu merecimento.

Se arrepende de ter deixado o Palmeiras naquele momento? Não seria melhor ter esperado mais um pouco e seguido para um clube maior?
Eu não me precipitei. Na época, estava muito bem no Palmeiras e não queria sair. Só que tinha acabado o meu contrato e nós tínhamos acabado de subir. Nessa época, pensei na minha família e no lado financeiro. Eu pedi aumento e o presidente não quis me dar, depois de tudo o que eu fiz pelo time. O Mustafá (Contursi, ex-presidente) simplesmente não me quis. Como a proposta do CSKA era muito boa, e aqui na Rússia trata-se de um time grande, resolvi aceitar para dar uma boa vida aos meus familiares. Mas, se na época o Mustafá tivesse melhorado as minhas condições, certamente teria ficado no Palmeiras.

O último título que o Palmeiras venceu foi a série B com vocês? Dá para explicar um clube tão tradicional ficar tanto tempo na fila?
Complicado... Muitas coisas aconteceram dentro do Palmeiras. Sai diretor, entra diretor, muda presidência, e isso e aquilo... Dificilmente um time consegue títulos dessa maneira. Tem que haver organização dentro e fora de campo também. Aí sim, se ganha alguma coisa. Acho que agora o Palmeiras está organizado, contratou um técnico de alto nível e conta com um grande time. Agora sim o Palmeiras voltou a ser grande e vai conquistar títulos importantes.

E por que é tão difícil um prata-da-casa vingar no Palestra Itália?
Eu acho que isso aconteceu várias vezes. Nas categorias de base, sempre aparecem jogadores de alta qualidade e a diretoria não aproveita, fica contratando de fora. O Palmeiras deveria dar mais oportunidades à sua categoria de base. Tem muitos jogadores que merecem e iriam crescer dentro do Palmeiras, que iria ganhar lá na frente com isso.

Secou a fonte no CSKA? Sem participar de competição européia, qual será o futuro de vocês? Não ficarão muito escondidos?
É, não estamos desanimados, mas sem dúvida a Champions é a hora que temos para aparecer para o mundo, e clubes grandes podem se interessar por você. Essa competição é muito boa para que o jogador entre em evidência, mas infelizmente este ano não aconteceu. Mas vamos ser campeões russos para o ano que vem estarmos na competição novamente.

Ainda tem esperança de defender um grande clube do futebol europeu?
Minha meta é cumprir meu contrato com o CSKA. Depois disso, gostaria de ir para a Espanha, Itállia, Inglaterra... Tenho só 24 anos, sou novo ainda, e tenho bastante coisa para viver no futebol. É óbvio que eu quero jogar no centro europeu ainda, fazer história e ganhar títulos importantes.

E voltar ao Brasil agora? É uma possibilidade?
No momento não, estou bem aqui. Quero ficar mais um tempo fora do Brasil, mas quero sim voltar a jogar no meu país, e em condições de ganhar títulos, como por exemplo a Libertadores. Mas não agora.

Se voltar ao país, que time vai receber a preferência? Palmeiras ou Fla?
(Risos)... não sei... Vou esperar. Aí depois eu tomo a decisão.

Você teve uma seqüência na seleção como titular e perdeu a vaga para Luís Fabiano. Você acha que perdeu a sua chance?
Olha, a cobrança é sempre grande. Temos que saber lidar com as críticas e com a imprensa. Eu fiz o meu melhor na seleção, e o grupo todo foi muito bem na Copa América.

Você acha que o início de temporada tardio na Rússia prejudicou você nas convocações?
Sim, sem dúvida. Nessas últimas convocações, nem tinha começado a temporada aqui ainda. Isso me atrapalhou muito porque a temporada aqui é diferente, o calendário é diferente. Comecei a jogar faz apenas um mês e não fui convocado. Mas espero voltar para a seleção o mais rápido possível e aproveitar. Quero voltar a fazer o meu trabalho para voltar para a seleção, marcar gols e classificar o Brasil para a Copa do Mundo.

Centroavante, no esquema do Dunga, não é igual a boi de piranha? Fica sozinho na frente, tomando bordoada e segurando os zagueiros? Você não sofreu muito com isso?
Ah, isso depende. Cada treinador tem um esquema tático. O Dunga gosta de atuar com um atacante apenas lá na frente. A gente tem que fazer o que o treinador pede, respeitando o esquema escolhido por ele. Se o Dunga prefere dessa forma, temos todos de respeitar.

Mas essa forma de jogar atrapalhou o seu rendimento?
Cada treinador tem sua posição, mas é complicado. A gente sempre joga diferente do clube, não é o mesmo estilo. Temos que aprender a nos adaptar, porque não há tempo suficiente para treinar e entrosar. Ficamos muito tempo sem nos ver e jogar junto, e isso atrapalha. Se tivéssemos tempo, não haveria problema de jogar nesse esquema tático e eu não me sentiria sozinho lá na frente.

E o Afonso? Tem alguma chance de voltar pra seleção? Ele tem bola pra isso?
Acho que tem sim, já que Dunga conhece seu trabalho. Ele está em um time melhor, campeonato mais disputado... tem condições sim.

Robinho, Adriano, Ronaldo e agora Ronaldinho. Por que jogador brasileiro gosta tanto de balada?
Sim, é nossa cultura, brasileiro gosta de festa. Os russos gostam do Brasil por causa disso, por causa da alegria brasileira. Eu acho que no dia de folga o jogador pode fazer o que ele quiser. Não tem essa. É preciso parar de pegar no pé dos jogadores. Se ele ganhou, está feliz, e no outro dia é folga, ele tem esse direito, precisa se divertir. Não se pode viver só jogando, tem que haver vida fora disso. No dia seguinte, é só se concentrar. Na Rússia, por exemplo, não tem isso. Dificilmente alguém da imprensa fala que o Vágner fez alguma coisa.

As russas continuam caidinhas por você ou isso é cascata?
Eu não, mas a minha irmã faz muito sucesso... (risos).

Era você mesmo no vídeo?
Pra dizer a verdade, não vi o vídeo. Fizeram muitos comentários, falaram que o Robinho estava comigo, e eu nunca nem saí com ele. Isso aí é uma coisa que faz parte do meu passado e eu prefiro nem comentar, viu... Porque eu não vi, nem sei se era eu e nem procurei saber o que estava rolando na internet.

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