Exclusivo: No Espanyol, Ewerthon admite erro na carreira
Por Marcelo Neves, da Placar
25/Abril/2008

Perto de completar a sua sétima temporada na Europa, o atacante Ewerthon, hoje no Espanyol, tenta reencontar o bom futebol dos tempos de Corinthians e Borussia Dortmund, clube que defendeu de 2001 a 2005.
Mesmo adapatado aos costumes do ‘Velho Continente’, o jogador admitiu à Placar que errou ao trocar o Zaragoza pelo Stuttgart, em 2007, mas que está pronto para voltar a brilhar nos gramados da Espanha.
Aos 26 anos, o jogador ainda mantém o sonho de disputar uma Copa do Mundo e, por ora, descarta um retorno ao futebol brasileiro.
Confira a entrevista:
Você considera o futebol espanhol o mais ‘técnico’ da Europa?
Eu considero o espanhol mais técnico, sim. Aqui é mais fácil de jogar, porque as defesas jogam em linha e a marcação não é tão forte. Isso facilita para os jogadores que têm uma técnica mais apurada, porque na Alemanha, por exemplo, eles priorizam mais a marcação e os jogadores são mais fortes fisicamente. Acredito que o futebol espanhol é o mais parecido com o brasileiro, que é um dos mais técnicos do mundo.
Por que você não continuou no Zaragoza, onde, teoricamente, seria o mais apropriado para o seu futebol mais técnico?
Essa foi uma decisão errada que eu tomei na minha carreira. Eu vinha fazendo um bom trabalho no Zaragoza, recebi uma proposta financeiramente muito boa do Stuttgart e acabei optando por voltar ao futebol alemão. Infelizmente, a minha passagem pelo clube não foi nada boa. Fiquei de seis a sete meses lá e, como cheguei depois da pré-temporada, tive muitas dificuldades para me adaptar e mostrar um bom futebol. O que prejudicou também foi o fato de eu ter combinado uma coisa com eles e isso não ter acontecido. É claro que lamento ter saído do Zaragoza, mas situações como essa fazem com que o jogador amadureça. Mas prefiro também não pensar nas coisas que não deram certo, hoje estou no Espanyol e feliz no clube.
Quando você vê imagens dos estádios/gramados do Paulistão, dá vontade de voltar a jogar no Brasil?
Temos o melhor futebol e os melhores jogadores do mundo, mas, infelizmente, temos também umas das piores infra-estruturas do mundo. Isso faz com que os jogadores procurem cada vez mais os mercados internacionais. A nossa carreira é muito curta e temos de conquistar a nossa independência financeira o mais rápido possível. O Brasil só conseguirá segurar os grandes jogadores quando os clubes estiverem preparados financeiramente para isso.
Você iniciou a carreira no Corinthians e depois teve passagens por Borussia Dortmund, Real Zaragoza e Stuttgart antes de chegar ao Espanyol. Com qual clube você se identificou mais e em qual viveu o melhor momento de sua carreira?
Se tivesse que escolher um clube seria o Borussia Dortmund. Lá, consegui ser campeão, fui finalista da Copa da Uefa e tive uma boa participação na Liga dos Campeões. Além disso, foi o primeiro clube que defendi na Europa. Cheguei ao Borussia muito novo e tive que aprender muita coisa para me adaptar. Mas tudo deu certo e fui muito feliz lá.
Sonha em voltar ao futebol brasileiro? Gostaria de encerrar a carreira no Corinthians?
É claro que um dia eu pretendo voltar, mas isso não passa pela minha cabeça ainda. Sou novo, tenho só 26 anos e pretendo ficar ainda um bom tempo aqui na Europa. Eu fiquei 12 anos no Corinthians, então é inevitável não criar uma identificação com o clube. Até hoje, quando volto ao Brasil, sou muito bem recebido pelos corintianos. Ficaria feliz em defender o Corinthians novamente, mas sou profissional. Se isso acontecer, ótimo. Mas também não teria qualquer problemas em defender uma outra equipe, caso receba uma boa proposta.
Data de Nascimento: 10/06/1981
Local: São Paulo (SP)
Altura: 1.75 m
Peso: 65 kg
Posição: Atacante
Clubes: Corinthians (1998 a 2000 e 2000 a 2001); Rio Branco (2000); Borussia Dortmund
(2001 a 2005); Real Zaragoza (2005 a 2007); Stuttgart (2007); Espanyol (desde janeiro 2008).
Títulos: Taça São Paulo de Juniores 1999; Campeonato Brasileiro 1998 e 1999 (Corinthians); Campeonato Paulista 1999 e 2001 (Corinthians); Mundial de Clubes FIFA 2000 (Corinthians); Campeonato Sul Americano (Sub-20) 2001 (Seleção Brasileira) e Campeonato Alemão 2002 (Borussia Dortmund).
Conquistas individuais: Melhor jogador sul-americano do Campeonato Espanhol (troféu EFE): 2005/2006 (atuando pelo Zaragoza, fez 12 gols na temporada) e Revelação da Taça São Paulo 1999.
Durante todo esse tempo na Europa recebeu sondagens de clubes brasileiros? Pensou em voltar?
De concreto mesmo, não. Tudo que aconteceu não passou de especulação. Algumas vezes falaram em uma possível volta para o Corinthians, cheguei a ser apontado também como possível reforço do São Paulo e até do Palmeiras, mas nunca recebi uma proposta concreta. E também não tinha a intenção de voltar ao futebol brasileiro.
Você teve algumas passagens pela seleção, mas não conseguiu se firmar no grupo. O que faltou?
Considero a minha passagem pela Seleção Brasileira boa. Consegui isso quando ainda jogava pelo Corinthians. Naquela época estava jogando um futebol de alto nível e estava sendo observado por todos, pois o Corinthians é um clube muito grande, que está sempre em destaque na mídia. Além disso, a imprensa paulista é muito forte e é capaz de colocar um jogador na seleção. Acredito que se tivesse continuado no Corinthians poderia até ter disputado uma Copa do Mundo, mas recebi uma proposta irrecusável da Alemanha e optei por me transferir. Acho que isso contribuiu para o meu afastamento da seleção. Mas esse sonho a gente sempre mantém vivo, quem sabe um dia não consiga voltar para disputar uma Copa do Mundo.
Você ainda tem vínculo com o Zaragoza, mas está defendendo o Espanyol. Como é viver essa situação, uma vez que você está brigando por uma vaga na Copa da Uefa, mas o Zaragoza briga para não cair no Campeonato Espanhol?
Eu ainda tenho muitos amigos no Zaragoza, mas esse é um momento delicado. É muito difícil jogar lá, porque é o único clube da cidade. A pressão é muito grande. Se a equipe não apresenta um bom futebol logo nas cinco primeiras rodadas, a torcida já começa a pegar no pé. Sei muito bem o que eles (jogadores do Zaragoza) estão passando. Mas nesse momento estou mais preocupado em ajudar o Espanyol. Estávamos brigando por uma vaga na Liga dos Campeões, mas agora o objetivo passou a ser a Copa da Uefa. Faltam poucas rodadas e vamos fazer de tudo para conseguir isso.
Jogaria a segunda divisão da Espanha sem problemas? Ou procuraria um outro clube para a próxima temporada?
Sinceramente, não jogaria. Segunda divisão não é para mim. Sei que tenho condições de disputar a primeira divisão em outros clubes. Eu ainda tenho contrato por mais dois anos com o Zaragoza, mas se o clube realmente for rebaixado, então terei de procurar um outro lugar para seguir a minha carreira.
O que é mais vantajoso pra um jogador, atuar em um clube de ponta no Brasil ou defender um de médio porte na Europa?
Isso depende muito de cada jogador, mas não há como negar que a parte financeira é o mais importante. E nessa questão não há como comparar um clube grande do Brasil com um intermediário da Europa. Os clubes grandes do Brasil oferecem boas estruturas e bons salários, mas ainda assim a realidade está muito distante da Europa. Nós, jogadores, temos de pensar no futuro, e tentar acertar a nossa vida financeira para não passarmos por dificuldades quando tivermos que encerrar a carreira.
Você teve de mudar o seu estilo de jogo para atuar na Europa? Qual a principal diferença entre o futebol brasileiro e o europeu?
Mudei muito, principalmente para poder me adaptar ao futebol alemão. Hoje posso atuar em até três posições diferente: como segundo atacante, como meia e até pelas ‘bandas’ (pontas), como dizem aqui os espanhóis. O futebol europeu exige essa versatilidade do jogador.
Quem é o jogador brasileiro do momento na Espanha?
Sem dúvida nenhuma que é o Luis Fabiano. Ele demorou um pouco para se acertar, mas hoje está jogando um futebol de alto nível, é artilheiro do Campeonato Espanhol e está na briga pela ‘Bola de Ouro’. O Luis Fabiano vive um grande momento.
